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sábado, 26 de outubro de 2019

50 anos

50 anos dos egressos do Colégio de Aplicação da UFBa reune adultos que conviveram em época de ditadura. Tanques na rua, gás lacrimogênio são memórias quando tinha 16 anos.
Aos 27 anos no Porto da Barra esperando o ônibus fui assediada por um homem achando que eu tinha 16.
Fugi de casa uma vez. Surtei. Fiquei sem mesada um tempo, acho que tinha 17.
E foi assim que entrei no Aplicação. Penúltimo lugar. Devo ter tirado Dez na redação porque em matemática ñ acertei nenhum ou ñ corrigiram a prova.
Estudei alemão um ano, taquigrafia, vi aulas de teatro e estudei inglês que com ajuda dos Beatles deixa eu circular pela mundo ocidental, por enquanto.
Espanhol comecei aos 19, na medicina os livros eram em espanhol.
No vestibular a média em física foi 17, fiz 33. Caiu só ótica, ñ precisava nem fazer conta. A resposta refletia a pergunta.
Agora nesta memória dos 16 aos 19 voltando literalmente; em 2 semanas quebrei um prato mexicano, um pote, um espelho e sangrei o dedo do pé. Entrei e saí do grupo do ensino médio.
Confraternização em tempos distópicos ñ aprendi nessa escola. Aprendi física, química e conversei mais de uma hora com apenas 4 colegas que ficaram no rol das amigas, 3 já falecidas.
Abraçar desconhecidos, perigoso. Eu que com a minha profissão evita contato sem luvas e  preservativos. Sentar pra comer temperados com agrotóxicos, antibióticos e hormônios, bebendo cervejas golpistas em estranhas companhias foi o convite que me ofereci antes de perceber que memórias divergem e o aprendizado também.
Quando graduei uma parte da turma no qual me incluí recusou-se a participar do ritual com aparência maçônica de becas pretas por considerar que nada havia a comemorar no Brasil da década de 70. Para mim só o nascimento dos meus três filhos.

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