terça-feira, 25 de agosto de 2020
Bunker
Só corro
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
Estudando GyorgyLukacs
quarta-feira, 5 de agosto de 2020
Teoria da relatividade
Estou no futuro!
Eu e meu reflexo invertido.
Os marimbondos desalojados do limoeiro aguardam seu destino final.
As pragas acompanham – me no jardim e na vida. Hanseníase, tuberculose, dengue e formiga.
Gosto de música, plantas e solidão, escrevi em um grupo e, nos afazeres da rotina da detenção preparo-me para um futuro que talvez não veja.
Estou vivendo o futuro de um passado de ficção.
Isolada, visitada por fantasmas de homens bombas, pernilongos e outros insetos que ocupam a casa e o quintal. Minha necessidade atual são duas galinhas, não só pelos ovos mas para dar cabo das ervas daninhas, cupim e formigas de todos os tamanhos.
Tenho sorte, diz a filha.
Ocupando a nave espacial, projetada para o envelhecimento, onde tudo é plano, estacionada no planeta azul de uma terra redonda. Tudo plano foi o pedido para a arquiteta que acrescentou ao projeto original um jardim, entre a cozinha e o quarto e, o telhado verde.
Muito trabalho nesta nova profissão.
Até quando?
Não sei.
Estou no passado?
Meus meridianos deslocam-se causando-me coceiras onde não posso atingir.
Lentidão e discursos neste isolamento social. Salário pra mim já virou palavrão. Juros, devemos cobrar a esses incompetentes que tomaram o poder. Parecem poucos e estão identificados. De paletó e gravata com seus sapatos finos, nos jatinhos, sobrevoam a plebe que ainda não ruge.
Estou no presente.
Consegui ficar com meus metros quadrados nos 168 centímetros.
Vivo de 15 em 15 dias de contatos extramuros. Há 16 dias fui ao mercado. Sem sinal ou sintomas. Não contaminada até a próxima saída.
E o oftalmo, o dentista, a mamografia?
Quero acreditar em um mundo novo?
No universo ainda em expansão, somos cíclicos, como vírus saltamos na evolução.
Ou vai ou racha.
